Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
GB
Há cerca de um ano, o The Guardian visitou o Rhythmic Music Conservatory em Copenhaga para colocar uma imagem num local que apenas ouviam como referência a uma série de artistas dinamarqueses que, sem andarem a revolucionar a pop (a História contar-se-á depois), lhe andam a dar um novo sentido nesta década: Clarissa Connelly, Smerz, Erika de Casier, ML Buch e Astrid Sonne. Foi por lá que descobriram e ouviram GB.
O fenómeno não é único na Dinamarca, há, também ecos disto no Reino Unido (Joanne Robertson, mark williams lewis e, claro, Nashpaints), surpreende ali a capacidade da música saltar o fenómeno nostalgia e abraçar um fresco conceito de novidade, de uma geração a destilar o novo via o antigo sem o antigo surgir como a primeira camada que nos vem à memória. GB existe nesta fórmula, a pop é experimental, nunca hermética, próxima da doçura de um Arthur Russell, contudo, melosa de uma forma muito própria. No currículo tem álbuns como ‘Gusse Music’, o exímio ‘Falter’, um álbum instrumental onde manda a guitarra, que se ouve como se os Slint estivessem a fazer versões de Arthur Russell, e apresentará em Lisboa o seu último trabalho, ‘Herzsprung’.
Apesar da ideia de experimental e de algum arrojo, a música é muito familiar. Pode-se associar a um dom grupal ou a uma consciência cultural: e pensar nisto como uma cena musical ou algo intrinsecamente ligado a uma escola, neste caso, o Rhythmic Music Conservatory de Copenhaga. Ou assimilar a algo macro, isto é, que não é um fenómeno exclusivamente dinamarquês (porque não o é) e, sim, fruto de uma geração que aprendeu a filtrar a pop que gosta e arranjá-la da sua própria forma, no contexto de hoje. Isso explica uma parte de sensação da música não ser nostálgica. A outra vem, e também se percebe na música de GB, quando este canta, das letras extremamente pessoais, relacionáveis e em linha com o mal-estar de uma juventude nos dias correntes. É pop de protesto interior, com um embrulho muito bonito, que esconde uma dor real. O fenómeno não é dinamarquês. Até ao momento eles só andam a ser muito melhores do que os outros. GB e ‘Herzsprung’ são a prova disso agora.
AS
Abertura de Portas
21:00
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